Gastronomia | Salvador


Salvador é meu lugar preferido para comer. Sou suspeito porque amo essa terra e seus sabores. Amo as mãos dessa gente que prepara tudo com tanta dedicação e paixão.
Temperos fortes de herança forte e marcante. Afros temperos misturados a simpatia e alegria.
Como estive apenas 2 dias na ida e 2 na volta priorizei os lugares que mais amo.
No nosso primeiro dia chegamos tarde e jantamos no nosso hotel A Casa das 7 Portas e a comida estava simplesmente divina. Simples e maravilhosa. Comida caseira mas bem saborosa. Um bom bife acebolado de filet acompanhado de um arroz bem fresquinho e batatas sauté. Nada baiano mas algo que cabia bem para aquele instante de relaxamento e tranqüilidade num lugar tão especial e tão hipnotizante. Comia e olhava para os lados observando tudo, cada detalhe.
Vale lembrar que quando ali chegamos fomos recebidos com um delicioso lanche da tarde servido em prata e louça inglesa. Bolos macios, café fresquíssimo e suco gelado de manga. Ah, que deliciosa recepção.
Nosso almoço do dia seguinte claro foi no restaurante que sou apaixonado, pelo lugar  e pelo dono: Paraíso Tropical do Beto Pimentel. Beto é um alquimista dos sabores, um queridíssimo chef que cultiva e colhe os temperos e frutas que usa em sua audaciosa gastronomia. Resultado: Delícias únicas incomparáveis! Quem provar uma vez jamais se esquecerá do Siri catado, dos Frutos do Mar grelhados com frutas locais e das Moquecas de Peixe e Camarão com Pitangas, Acerolas e Coco verde. Um arraso. Conheci o Beto há alguns anos quando minhas queridas amigas Andrea Francez e Vera Holtz me apresentaram esse incrível homem. Hoje seus filhos estão com eles a frente pilotando essa casa que vive cheia de apaixonados. Carla sua filha cuida do pai como quem cuida de uma jóia rara. Ela está certa, Beto é uma jóia rara, difícil de se encontrar por esse Brasilzão afora. Não ir a Salvador e não ir ao Paraíso Tropical não é ir a Salvador.
No dia seguinte quebrando os sabores baianos jantamos num restaurante italiano que curto bastante na capital baiana. Comida italiana na Bahia? Sim a Cantina Du Vini tem uma saborosíssima gastronomia e super bem freqüentada. Um lugar bem agradável, com uma décor cool e o chef gente boa pacas. Vale a pena conferir os sabores de suas bruschettas, suas massas e suas carnes. Tudo de primeiríssima valorizando outros sabores na cidades das comidas comidas apimentadas.
Saímos alguns dias pra linha verde e ao retornar já tinha estipulado que iria visitar meus dois queridos chefs amigos Edinho Engel e Tereza Paim, dois mestres da gastronomia baiana, cada um a seu modo, com sua alma, com suas inspirações.
No almoço fomo a Casa de Tereza no Rio Vermelho e a querida e iluminada Tereza estava ali almoçando com sua família ao nosso lado e volta e meia vinha nos prestigiar. Uma querida, amada e competente chef baiana. O lugar um mix de tudo o que Tereza
encontra por aí, obras de arte com artesanatos simples locais. Luxo verdadeiro. Seus bolinhos de Feijoada de entrada quebram qualquer expectativa pois arrasam na textura e no sabor. Algo alem do esperado. Em seguida provamos um Polvo que desmanchava a cada nova garfada. O que é isso meu Deus. E para não parar por aí ainda degustamos uma Carne de Sol acompanhada de Farinha torrada e Macaxeira que foi chorar de tão bom. Comida de raízes, comida de verdade, comida da terra, abençoada pelos Orixás.
Tereza tem luz e coloca essa luz em sua gastronomia. Que mulher!
Nem jantamos esse dia eu queria apenas um suco para não tirar os sabores de Tereza de minha memória (parece frase de Jorge Amado essa).
No dia seguinte fomos caminhar, passear no Ceasinha comprando farinhas, castanhas, pimentas e camarão seco, depois curtir a piscina deliciosa do hotel São Salvador e ao anoitecer fomos jantar no restaurante do sempre sorridente e querido Edinho Engel: o Amado.
Localizado no bairro do Comércio, refinado, projetado por arquitetos aclamados, serve a cozinha contemporânea baiana com vista ao mar. O máximo em sabores e conforto. Não pude deixar de pedir os Camarões na Tapioca de Edinho que sempre foram famosos como entrada nas grandes refeições ali servidas. Dessa vez provamos o novíssimo menu degustação assinado por Fabrício Lemos que hoje pilota o Amado ao lado de Edinho. Uma sequência de mini pratos com ingredientes locais traz a alma baiana repaginada com uma cara internacional e bem moderninha. Resultado: Absoluto explendor, êxtase de sabores e uma experiência única. Fantástico. Fabrício soube sem perder a alma do Amado reproduzir pratos consagrados de forma inusitada surpreendendo o público local. Sucesso certo, ontem, hoje e sempre! São salgados a base de tapioca, peixes, vieiras, camarões, carne de sol entre outros que encantam, além de doces especiais que elaborados com audácia e elegância finalizam com primor o jantar mais do que especial.
Salvador, ah minha terra amada. Voltarei para provar infinitas vezes seus temperos, seus sabores, suas texturas, suas verdades.