Pedro Mariano | Som criativo e da pesada


Hoje vou falar de uma banda que vem tirando meu sono! Rock psicodélico, pop new age, R&B vintage. Tudo isso em uma só banda. Ainda há em sua formação músicos fora de série individual e coletivamente. Fazia um bocado de tempo que não encontrava tudo isso em um só lugar. Pois é, e esses caras vêm de um lugar onde impera o JAZZ mais puro: New Orleans.
Estou falando de Mutemath, ou MuteMath, ou ainda MUTEMATH. Escreve-se igual, fala-se igual, mas já vi escrito dessas três formas. Escolha uma e divirta-se!
New Orleans, Lousiana, é considerada por muitos, o berço do JAZZ, que ao longo dos anos foi sofrendo intervenções de várias culturas como a Francesa, a Espanhola e a Africana. Essas misturas moldaram o som de lá, nos trazendo várias vertentes do JAZZ. O dixieland é um deles, caracterizado pela sua formação de trompete, clarinete, trombone, piano, banjo, baixo e bateria. Podendo ter ainda tuba e guitarra. Em alguns lugares era chamado de ragtime e era muito tocado nos bordéis na década de 1900

Base do funk, toda essa miscelânea sonora foi evoluindo e com a chegada dos instrumentos elétricos ouviram-se os primeiros riffs do bom e velho ROCK’N ROLL. Sim, para quem não sabe, o ROCK é um parente bem próximo do funk e do R&B, sendo trazido à tona pelos  músicos de descendência africana de New Orleans.
Bem, passada a aula de história, quando chegou à minha mão o disco “Odd Soul” da MUTEMATH, através do Conrado Goys (de novo, ele!) fiquei boquiaberto com a sonoridade e a ferocidade do som desses quatro caras. De cara comecei a me perguntar de onde eram. Inglaterra seria muito óbvio, porque o som era extremamente compatível com as loucuras de Pink Floyd e Yes. Convencido disso, fui procurar saber e descobri que além de não serem europeus, eram de New Orleans. De certa forma fazia um certo sentido, porque tanta espontaneidade e visceralidade, seriam uma grande influência vinda desse lugar com tanta magia musical.
Nos teclados temos Paul Meany (@paulmeany). Tocar bem é o de menos, porque o grande diferencial desse músico é o seu bom gosto na escolha dos timbres que toca em cada música.

Possui inúmeros instrumentos vintage e os toca com primor. Deixei para o final o mais legal: ele canta, e como! Dono de um timbre de voz muito especial, credito a ele o grande frescor dessa banda. Sua voz é aguda, ás vezes áspera outras vezes doce, sempre utilizando efeitos psicodélicos que dão o toque final na atmosfera toda. Paul também pilota as guitarras nas gravações em estúdio.
No contra-baixo temos Roy Mitchell-Cárdenas(@mitchellcardenas), nascido no Texas e descendente de mexicanos, ele controla o baixo nos shows, mas nos discos incorpora as guitarras também, além de ser autor de várias das canções da banda. Escolhe os timbres de forma muito coerente e entrega uma condução bem casada com a base.
Na bateria temos Darren King (@dkthedrummer). Esse cara tem muito talento e originalidade! De cara foi o que mais me chamou a atenção, não pelo fato de tocarmos o mesmo instrumento, mas sim por ele conseguir trazer um som vintage e moderno ao mesmo tempo. A sonoridade é bem a cara dos anos ’70, mas o jeito de tocar é muito contemporâneo. Virtuoso e energético, tem como característica usar um fone de ouvido enorme preso com fita adesiva preta. Além de posicionar sua bateria bem à frente do palco, interagindo com a plateia e fazendo uma bagunça enorme.
Todd Gummerman (@grandepic) se junta ao grupo tocando guitarras, teclados e vocais. Além de executar programações eletrônicas ao vivo.

 Paul Meany e Darren King já haviam tocado juntos em 2000, na primeira banda de Paul, a Earthsuit. Depois dessa banda se desfazer, eles se mudaram para uma casa juntos, onde passaram a tocar e compor incessantemente. Nessa época juntaram suas forças com o guitarrista Greg Hill e os primeiros sons da MUTEMATH surgiram. Greg ficou na banda até 2010.
Eles citam várias influências que vão de The Police, U2 até Bjork. Vejo tudo isso neles e muito mais. Nesse disco “Odd Soul”, chamou minha atenção a montagem do disco ser continua, sem intervalos entre as faixas. Nunca há silêncio. Desde o início da primeira música fica a sensação de estarmos assistindo a um filme. As fusões são dinâmicas e em alguns casos o final de uma faixa é o começo da próxima. Acredito que isso seja influência das experiências dos integrantes da banda em participarem de trilhas de filmes. A banda mesmo faz parte da trilha sonora do filme “Transformers” executando o tema original do filme.
“Odd Soul”, quando ouvido em sequência temos essa sensação de estarmos dentro de um filme. É tudo muito bem construído e de uma intensidade atordoante, por vezes. Indico sua audição para uma boa corrida na rua (a pé, lógico!) ou até mesmo para um viagem de carro, apesar de sua intensidade nos convidar para a velocidade. Tem momentos muito bonitos também, como “One More” e “In No Time”. Vale muito à pena curtir esse disco!

 Em 2015 ele lançam seu mais recente álbum “Vitals”. Um belo exemplo da influência dos anos ’80 com tudo o que tem direito. Suas credenciais estão lá, mas com outras roupas. As composições, as escolhas de timbres continuaram, porém a virtuose e a visceralidade deram espaço para a sonoridade mais cibernética e um clima de pista surgiu na hora. A música de abertura “Joy Rides” sintetiza bem o álbum, mas minha predileta é a “Best Of Intentions”. Dançante e com uma melodia forte, levanta o astral na hora. Vale uma passada com calma na faixa anterior “Used To”, por ser extremamente criativa e cinematográfica.
Fica a dica para assistir os vários vídeos à disposição na internet de muitas de suas apresentações mundo afora.